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Entre o socialismo e o corporativismo: trajetórias de quatro líderes do movimento operário no Brasil (1871-1963)

Este livro foi concebido na fronteira entre a história social e a história política e contribui para uma compreensão mais complexa e aprofundada da história do trabalho e do Brasil por meio da reconstituição e do entrelaçamento da trajetória de quatro importantes líderes socialistas: Evaristo de Moraes, Agripino Nazareth, Joaquim Pimenta e Maurício de Lacerda. São enfatizadas as dimensões políticas e intelectuais de suas vidas, articulando-as com os diferentes contextos históricos nos quais eles atuaram. A partir do cruzamento das quatro biografias, problematiza-se a questão da “representatividade?”e destacam-se os elementos de “singularidade” dos indivíduos. A obra refaz os passos desses quatro controvertidos intelectuais e líderes do movimento operário em diversas partes do Brasil ao longo da Primeira República e no pós-1930 e permite conhecer mais sobre a história das lutas e ideias sociais no país, bem como sobre o comportamento do Estado e das elites econômicas e políticas Brasileiras, em face do movimento operário e sindical e suas demandas por cidadania política e social num longo período histórico da nação.
Ano de Publicação2024
AutorAldrin Armstrong Silva Castellucci
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O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL E ESPANHA: uma homenagem a Joan Pagès Blanch

Com esse livro homenagem, nós, um grupo de pesquisadores brasileiros e espanhóis, encaramos o maior de todos os desafios que foram postos em nosso caminho. O desafio de construir um livro que desse conta do que representou para todos nós o Professor Joan Pagès Blanch. Falar de colegas nunca é fácil, e, em se tratando dele, torna-se uma tarefa quase impossível. Então, para evitarmos um caminho mais emotivo, vamos nomeá-lo como uma celebração. A tristeza e a dor de perdemos nosso querido Joan fica abolida pela honra de termos tido a oportunidade de conhecê-lo, de termos tido o prazer de desfrutar de sua convivência. A palavra que melhor define o nosso sentimento hoje é GRATIDÃO. Obrigado por ter nos ensinado a sermos pessoas melhores, colegas melhores. Obrigado por ter incentivado para que lutássemos por um mundo e uma sociedade melhor. Obrigado não só por ter nos ajudado a trilhar nossa trajetória, mas também por ter nos dado motivos para segui-la. E, acima de tudo, obrigado por ter contribuído com um Ensino de História que lute a favor de uma cidadania PLENA! Joan foi, ao longo de sua jornada, a excelência em forma de profissional. É importante frisar que sua obra fica como legado dos mais importantes para o campo do ensino de História na Europa е na América Latina e vai fornecer a muitas gerações o significado do que nos ensinou, cada teoria e prática que nos mostrou não foram em vão.
Ano de Publicação2021
Org.Antoni Santisteban Fernández
Carlos Augusto Lima Ferreira
CapítuloPag : 19
Diálogos entre ensino de História e tecnologias digitais: dos dilemas às possibilidades ou um debate necessário?

Carlos Augusto Lima Ferreira
Celeste Maria Pacheco de Andrade
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Brasil, África e Ásia na Monarquia Portuguesa: [Séculos XVI-XVIII]

Que dizer de uma obra que balança os alicerces do que imaginávamos conhecer, que sutil e deliberadamente provoca o conforto e o comodismo intelectuais ao mesmo tempo em que se renova continuamente a partir de novos objetos e modos de conhecer? Igualmente, o que dizer de uma abordagem que não é fechada porque convida a duvidar, a questionar, a instigar, inclusive a si mesma? Que vê um mundo (a monarquia portuguesa) a partir do terreno local, mas um local integrado e concomitantemente formador do todo? Que se origina ao esmiuçar as bases da materialidade e da governabilidade de uma formação social pluricontinental multifacetada desigualmente perfeita?
Raras são as obras que podem se dar a esse luxo, mas elas geralmente são as mesmas que falam de uma totalidade sem falar de tudo, que explicitam a essência e o óbvio pela sutil ou implícita enunciação. Elas também alardeiam num silêncio ensurdecedor abrindo os ouvidos dos que não querem ou fingem não ouvir. O Antigo Regime nos Trópicos é uma dessas obras, que se prolonga, em qualquer parte e há mais de 20 anos, em Brasil, África e Ásia na Monarquia Portuguesa (séculos XVI-XVIII).
Ano de Publicação2021
Org.Antonio Carlos Jucá de Sampaio
Isabele de Matos Pereira de Mello
Roberto Guedes
CapítuloPág.: 335
Agência sertanista e fronteiras
Hélida Conceição
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Memórias e histórias do cinema na Bahia (Vol. 1)

O livro reúne resultados de pesquisas de diversas áreas do conhecimento que tratam do cinema na Bahia, de Salvador ao interior do Estado, incluindo, para além dos filmes e seus realizadores, os âmbitos da produção, exibição, memória e formação. Com 12 capítulos, esse primeiro volume aborda os primórdios do cinema na Bahia, o cinema de cavação, o Clube de Cinema da Bahia, o pensamento do crítico Walter da Silveira, o Ciclo Baiano de Cinema, a relação entre cinema, artes visuais e culturas afro-atlânticas, bem como experiências iconoclastas do cinema de invenção. Trata também das trajetórias de cineastas como Alexandre Robatto Filho, Roberto Pires, Glauber Rocha, Agnaldo “Siri” Azevedo, Olney São Paulo, André Luiz Oliveira e Edgard Navarro em seus múltiplos diálogos criativos.
Ano de Publicação2024
AutorMilene Silveira Gusmão, Laura Bezerra, Izabel de Fátima Cruz Melo, Euclides Santos Mendes, Raquel Costa Santos
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Toda verdadeira história é história contemporânea: uma interpretação da teoria da historiografia de Benedetto Croce

Este livro apresenta uma interpretação aprofundada da teoria historiográfica de Benedetto Croce, especialmente de sua máxima “toda verdadeira história é história contemporânea”. A obra explora o pensamento de Croce no contexto filosófico, político e historiográfico da Itália entre os séculos XIX e XX, destacando sua crítica ao positivismo e sua concepção da história como um ato de pensamento presente que interpreta o passado a partir das questões atuais. O autor também discute a recepção limitada de Croce no Brasil e suas contribuições à teoria da História.
Ano de Publicação2025
AutorRaimundo Nonato Pereira Moreira
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À MARGEM DOS GRANDES ESQUEMAS: O ASSOCIATIVISMO POLÍTICO-ELEITORAL DOS TRABALHADORES DE PERNAMBUCO E DA BAHIA NA PRIMEIRA REPÚBLICA

Durante a Primeira República os índices de participação eleitoral eram diminutos, no entanto isso não implicava ausência de disputa por votos. O presente artigo procura evidenciar que os trabalhadores organizados tiveram papel fundamental na estruturação da competição eleitoral em centros urbanos. A análise dos casos de Pernambuco e da Bahia mostra que: os trabalhadores conformavam a maior parte do eleitorado das capitais; as associações de classe organizavam diversas etapas do processo de votação; o movimento operário criou formas originais de participação e representação política por meio de mandatos coletivizados.
Ano de Publicação2022
AutorAldrin Armstrong Silva Castellucci, Felipe Azevedo e Souza
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Com base em ampla pesquisa feita na grande imprensa e na imprensa operária do Brasil, este artigo analisa o papel do advogado Joaquim Pimenta (1886-1963) na liderança da bem-sucedida greve geral de julho de 1919 no Recife e suas investidas para fundar um partido socialista de base operária em 1920 e 1921 em Pernambuco. São examinadas as razões do insucesso político-eleitoral de Pimenta, bloqueado pela forte resistência dos adeptos do anarquismo e do sindicalismo revolucionário na capital pernambucana. É comparado o movimento operário do Recife com os de outras cidades do país na mesma conjuntura e são analisadas suas similaridades e diferenças, inclusive quanto aos impactos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e da Revolução Russa de 1917 sobre a dinâmica das greves gerais e da organização da classe trabalhadora no período.
Ano de Publicação2022
AutorAldrin Armstrong Silva Castellucci
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O Partido Socialista do Brasil Sujeitos, projetos e ação político-eleitoral (1925-1926)

Este artigo é parte de uma pesquisa mais ampla sobre as trajetórias de intelectuais socialistas que atuaram em diferentes regiões do Brasil na primeira metade do século XX. Ela é baseada em informações extraídas da grande imprensa e da imprensa operária, nos incontáveis artigos que os personagens publicaram em revistas e jornais de várias cidades brasileiras no período, em suas memórias, nas publicações oficiais para as quais eles colaboraram e nos vários livros que legaram sobre os mais diversos temas de política, direitos e cultura. O presente texto tem o objetivo de reconstituir o processo de fundação do Partido Socialista do Brasil (PSB) em 1º de maio de 1925, uma das iniciativas nas quais os indivíduos que biografei se envolveram. Analiso a composição social, o programa, a inserção no movimento operário e a intervenção do PSB nas eleições municipais de 1926 no Distrito Federal. Demonstro que o partido teve forte influência entre os trabalhadores naquele momento, ainda que isso não se tenha traduzido em ganhos eleitorais significativos.
Ano de Publicação2022
AutorAldrin Armstrong Silva Castellucci
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DEPOIS DO INCÊNDIO: classe, nação, racismo e antirracismo na reconstrução da Faculdade de Medicina da Bahia (1905-1908)

O artigo analisa a ação do Sindicato dos Trabalhadores em Madeira em aliança com o Centro Operário da Bahia e a Federação Socialista Bahiana em uma disputa por postos de trabalho marcada por racismo e antirracismo relacionados aos saberes de ofício, interesses de classe e embates no interior das elites políticas. O foco do estudo foi um conflito ocorrido em outubro de 1908, quando o engenheiro-chefe das obras de reconstrução da Faculdade de Medicina da Bahia resolveu contratar artesãos italianos residentes em São Paulo para trabalhar nas obras de marcenaria daquela instituição, em prejuízo dos artífices de Salvador, majoritariamente negros. A pesquisa demonstra que, apesar de defenderem com determinação e de forma bem-sucedida os interesses dos trabalhadores nacionais, inclusive fazendo uso de linguagem patriótica, as organizações operárias combinaram antirracismo com internacionalismo socialista.
Ano de Publicação2023
AutorAldrin Armstrong Silva Castellucci
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HISTÓRIA E LITERATURA EM DIÁLOGO: VISÕES SOBRE O ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA (1953), DE CECÍLIA MEIRELES.

Os diálogos entre o discurso da historiografia com a ficção possibilitam-nos um amplo espaço de reflexão sobre o poder das palavras e suas múltiplas interpretações. A confluência da História com a Literatura encontra nos gêneros híbridos um ponto de convergência importante para o estudo das ressignificações do passado, no intento do cultivo do pensamento decolonial. Neste artigo, apresenta-se uma breve reflexão sobre a relação desses dois ramos do saber, materializada em um poema histórico: o Romanceiro da inconfidência mineira (1953), de Cecília Meireles (1901-1964). São fundamentos da análise apresentada neste texto os pressupostos de Fleck (2017), Larios (1997), Burke (1993), Castro-Gómez e Grosfoguel (2007), entre outros.
Ano de Publicação2021
AutorCeleste Maria Pacheco de Andrade, Cristian Javier Lopez e Weslei Roberto Candido
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Por uma narrativa do reencantamento: a poética do não esquecimento de Ailton Krenak e Daniel Munduruku

Compreender o texto narrativo como parte de um conjunto de expressão artística que integra o repertório cultural humano permite reconhecer a sua potência de ressignificação, o que implica no registro de diversos olhares sobre o mundo em que nos situamos. Levando em consideração o desdobramento dessas visões, é pertinente o entendimento da narrativa como possibilidade de marcar a presença de uma humanidade no planeta, visto que ela se inscreve na necessidade universal do homem em organizar sua experiência de vida e dar sentido à própria história, através da oralidade, da escrita ou das imagens. Nesse sentido, o presente estudo discute a narrativa de autoria indígena como oportunidade de se reconsiderar a experiência de estar vivo, imbrincada em uma identidade terrena, incluindo aí uma poeticidade. Com base na perspectiva da Nova História Indígena, que se ocupa de conhecimentos e percepções de sujeitos e povos indígenas em suas historicidades, isto é, refere-se a formas indígenas de pensar, agir e ser com base em suas vivências culturais específicas e sua presença em nossa sociedade, o texto ocupa-se de dois pensadores indígenas da atualidade: Ailton Krenak em Ideias para adiar o fim do mundo (2019) e Daniel Munduruku em Mundurukando (2010). Acreditamos, ao escolher os referidos autores, que ambos oferecem um acesso a determinadas redes de conhecimentos dos povos originários, de forma a evidenciar a construção de uma outra lógica, especialmente pertinente para pensar a narrativa como possibilidade de reencantamento do mundo e com o mundo.
Ano de Publicação2022
AutorCeleste Maria Pacheco de Andrade e Ana Claudia Pacheco de Andrade
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Por uma narrativa do reencantamento: A poética do não esquecimento de Ailton Krenak e Daniel Munduruku.

Compreender o texto narrativo como parte de um conjunto de expressão artística que integra o repertório cultural humano permite reconhecer a sua potência de ressignificação, o que implica no registro de diversos olhares sobre o mundo em que nos situamos. Levando em consideração o desdobramento dessas visões, é pertinente o entendimento da narrativa como possibilidade de marcar a presença de uma humanidade no planeta, visto que ela se inscreve na necessidade universal do homem em organizar sua experiência de vida e dar sentido à própria história, através da oralidade, da escrita ou das imagens. Nesse sentido, o presente estudo discute a narrativa de autoria indígena como oportunidade de se reconsiderar a experiência de estar vivo, imbrincada em uma identidade terrena, incluindo aí uma poeticidade. Com base na perspectiva da Nova História Indígena, que se ocupa de conhecimentos e percepções de sujeitos e povos indígenas em suas historicidades, isto é, refere-se a formas indígenas de pensar, agir e ser com base em suas vivências culturais específicas e sua presença em nossa sociedade, o texto ocupa-se de dois pensadores indígenas da atualidade: Ailton Krenak em Ideias para adiar o fim do mundo (2019) e Daniel Munduruku em Mundurukando (2010). Acreditamos, ao escolher os referidos autores, que ambos oferecem um acesso a determinadas redes de conhecimentos dos povos originários, de forma a evidenciar a construção de uma outra lógica, especialmente pertinente para pensar a narrativa como possibilidade de reencantamento do mundo e com o mundo.
Ano de Publicação2022
AutorCeleste Maria Pacheco de Andrade e Ana Cláudia Pacheco de Andrade
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Palmares de Zumbi (2019): narrativa híbrida de história e ficção – por uma ressignificação do passado de luta pela liberdade

No presente texto propomos uma análise da narrativa juvenil Palmares de Zumbi (2019), de Leonardo Chalub, como produção literária híbrida de história e ficção voltada à ressignificação do passado pelas vias da arte literária, adequando-se às características do denominado romance histórico contemporâneo de mediação (FLECK, 2017). Tal proposta objetiva revelar, tendo como recorte o contexto da escravização, como a literatura juvenil, principalmente a produção contemporânea, acresce representatividade às classes marginalizadas, muitas vezes apagadas dos registros históricos oficiais e tratadas pejorativamente como minorias. Neste processo de leitura literária, destacam-se obras juvenis
híbridas voltadas ao contexto do Quilombo do Palmares, mais especificamente a que se refere à luta pela liberdade, de modo a destacar figuras invisibilizadas pela historiografia tradicional, dando foco a vozes marginalizadas, a partir de uma perspectiva “vista de baixo” (SHARPE, 1992). Respaldamo-nos, nesta análise, em teóricos que problematizam sobre a necessidade de descolonização do pensamento pelas vias da decolonialidade (COLAÇO, 2012), Fleck (2017), Sharpe (1992). Os resultados deste estudo demonstram que muitas narrativas ficcionais juvenis contemporâneas corroboram as reflexões
sobre a não neutralidade de discursos, os quais circulam e expressam o jogo de poder com relação à hegemonia europeia, à colonização e ao sistema escravista, apontados por Fleck (2017) como inerentes ao romance histórico contemporâneo de mediação. Tais elementos podem, assim, apontar para vias de descolonização na formação leitora da Educação Básica.
Ano de Publicação2023
AutorCarla Cristiane Saldanha Fant, Celeste Maria Pacheco de Andrade, Luciane Thomé Schröder e Rosângela Margarete Scopel da Silva
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Ensino de História e dispositivos legais: reflexões sobre impactos na organização didático-pedagógica

O artigo trata do ensino de História no contexto da redemocratização do Brasil a partir da década de 1980, destacando avanços e desafios e a importância de superar resistências institucionais para promover uma educação mais plural. Considera que a redemocratização incentivou uma abordagem crítica e reflexiva, a interdisciplinaridade e a valorização da diversidade cultural. O objeto de análise são os dispositivos legais Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Parte-se do princípio de que os PCN representaram uma proposta ambiciosa durante a redemocratização, buscando uma abordagem flexível e integrada ao enfatizaram a interdisciplinaridade e a valorização da diversidade. Na sua implementação, muitos foram os desafios devido a resistências estruturais e a falta de políticas educacionais incisivas. As DCN de História, marco significativo no ensino de História, ao proporcionar uma diversidade de visões, reflexão crítica e integração de diferentes linguagens no ensino na perspectiva de formação de cidadãos críticos e conscientes. A BNCC representa um esforço para padronizar o ensino no Brasil, visando a equidade. No entanto, a complexidade do país demanda uma perspectiva sensível à diversidade. Por isso enfrenta críticas por estar centrada na avaliação de resultados e pelo risco de simplificação excessiva da realidade. A conexão entre BNCC, currículo de História e formação de professores apresenta desafios e requer constante reflexão crítica, investimentos na formação de educadores e revisão das políticas educacionais fundamentais para um ensino de História inovador. Em suma, o artigo destaca o ensino de História no contexto da redemocratização, ressaltando avanços, desafios e a importância de políticas educacionais sensíveis à diversidade para promover uma educação inclusiva e crítica no Brasil.
Ano de Publicação2024
AutorCarlos Augusto Lima Ferreira e Celeste Maria Pacheco de Andrade
LinkArtigo

A liberdade dos escravos dos retornados do Brasil por ocasião do regresso de D. João VI: a trajetória de Marianna, mina. Lisboa – 1821 e 1825

Este artigo analisa as circunstâncias em que a escravidão foi discutido em Portugal, após o regresso de D. João VI em 26 de abril de 1821. A partir da trajetória de Marianna, mina, escrava de Jacinto de Araujo, criado de D. João VI que regressou com o monarca para Portugal, procuro compreender os caminhos percorridos por cativos que ali desembarcaram em companhia de seus senhores. A experiência de Marianna é utilizada para refletir sobre o porquê de o rei ter agraciado com indultos senhores retornados do Brasil para permanecerem com seus escravizados em Portugal, à revelia dos alvarás de 19 de setembro de 1761 e de 10 de março de 1800. Ademais, reflito sobre o que as autoridades régias compreendiam a respeito da escravidão e liberdade em um reino que acabara de se tornar uma monarquia constitucional e que possuía uma legislação antiescravista desde fins da década de 1760.
Ano de Publicação2022
AutorKátia Lorena Novais Almeida
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“Um bando de homens perdidos que em seu delírio desconheceram Deus, a pátria, a família e a propriedade”: representações da Comuna de Paris nos debates parlamentares brasileiros de 1871

Este artigo discute algumas das representações da Comuna de Paris, mobilizadas por parlamentares brasileiros durante os debates acerca do tema realizados ao longo do ano legislativo de 1871. A partir de uma investigação que tomou como corpus documental os Anais da Câmara dos Deputados e do Senado de 1871, o texto sugere que, para além dos interesses concretos, dos antagonismos partidários e da análise da correlação de forças no sistema internacional, outros elementos são relevantes para compreender as disputas em torno de uma matéria alheia à realidade brasileira. As referências à Comuna de Paris emergiram simultaneamente à tramitação do projeto que se tornou a Lei do Ventre Livre, e trechos dos discursos parlamentares expressaram registros de preocupação anticomunista. Portanto, o trabalho busca problematizar as representações mobilizadas pelos legisladores para interpretar e dar sentido aos eventos da Comuna de Paris, inclusive no que dizia respeito a eventuais influxos na sociedade brasileira.
Ano de Publicação2023
AutorRaimundo Nonato Pereira Moreira
LinkArtigo

A modernização do ensino na Escola Paulista de Medicina e a Fundação Rockefeller, 1956-1962

Analisa-se a circulação do conhecimento científico entre Brasil e EUA, a partir dos financiamentos da Fundação Rockefeller à Escola Paulista de Medicina para modernizar o ensino médico. O marco cronológico inicial escolhido é 1956, quando a fundação inaugurou o financiamento à instituição brasileira, e o final é 1962, ano-limite para gastar os valores disponibilizados. As fontes utilizadas são dossiês coletados no Rockefeller Archive Center e analisados a partir do paradigma indiciário. Conclui-se que, quando a agência filantrópica decidiu financiar a escola, esta já integrava uma rede de circulação internacional de conhecimentos, e que a modernização do ensino médico na instituição foi marcada por investimentos nas ciências básicas, em clínica médica, e com a defesa de departamentos em tempo integral.
Ano de Publicação2023
AutorRicardo dos Santos Batista
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Fronteiras oceânicas: baleação e ambiente marinho na era do capitalismo industrial,1740-1850

Esse artigo aborda a implantação da atividade baleeira na costa leste dos Estados Unidos, a partir do século XVII, tomando como ponto de partida o início da era moderna e a formação do capitalismo no mundo ocidental. Enfoca a relação entre a produção de derivados de baleias no Atlântico Sul e Pacífico com os mercados europeus e a ascensão da industrialização. Também analisa a expansão baleeira estadunidense em direção aos oceanos Atlântico e Pacífico, sua presença na costa africana, brasileira e chilena, ao longo da primeira metade do século XIX, quando os norte-americanos edificaram sua hegemonia econômica, através da atuação comercial, negociando derivados de baleias na costa da África, no Rio de Janeiro e na costa chilena. As fontes utilizadas foram escrutinadas nos arquivos e bibliotecas brasileiras e nos principais centros de documentação e bibliotecas da Nova Inglaterra, EUA
Ano de Publicação2021
AutorWellington Castellucci Junior
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BALEIAS E IMPÉRIO: OS ESTADOS UNIDOS E A EXPANSÃO BALEEIRA NOS MARES DO ATLÂNTICO SUL (1761-1844)

Este artigo analisa a expansão baleeira norte-americana, ocorrida entre o final do século XVIII e a primeira metade do XIX, em direção ao litoral brasileiro. Foram escrutinadas fontes em dois arquivos e museus da Nova Inglaterra, o Mystic Sea Port e o Whaling Museum. No primeiro, consultamos as relações de viagens baleeiras ocorridas entre a segunda metade do século XVIII até 1920. Também arrolamos documentos avulsos, cartas de marinheiros e comandantes, relações de embarcações e informações sobre os portos da região. No Whaling Museum analisamos logbooks de viagens ao Brasil, cartas náuticas, mapas e fontes avulsas. Na Gazeta de New Bedford, levantamos informações sobre expedições à costa brasileira realizadas entre 1843 e 1845, os balanços da produção de óleo de baleia, espermacete de cachalotes e ossos de baleias. Foram examinadas e sistematizadas informações sobre os comandantes, as embarcações e suas rotas, além de dados quantitativos a respeito de baleias e cetáceos abatidos no litoral brasileiro. Por fim, destacamos o grande peso da indústria baleeira americana naquela conjuntura de afirmação do capitalismo e globalização da economia.
Ano de Publicação2021
AutorWellington Castellucci Junior
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A ILHA DAS BALEIAS: LIBERDADE DE CAÇA E ARRANJOS DE TRABALHO NA BALEAÇÃO EM ITAPARICA (1814-1890)

Este artigo aborda as mudanças estruturais e o funcionamento das armações baleeiras da Ilha de Itaparica, após o fim do exclusivo colonial. Sua dimensão temporal delimita-se entre 1814 e 1890. A forma como foram reabertas, as relações de trabalho, as atividades produtivas agregadas às armações e o engajamento dos libertos na baleação são questões centrais na análise do texto. As fontes usadas foram inventários, testamentos, livros de notas, relatório de governo da capitania e presidente de província, processos criminais, jornais, registro de batismo e mapa estatístico
Ano de Publicação2024
AutorWellington Castellucci Junior
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